PÓVOA DE LANHOSO - A TERRA DA MARIA DA FONTE
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Póvoa de Lanhoso ► Castelo de Lanhoso








O Castelo de Lanhoso, também denominado como Castelo de Póvoa de Lanhoso, localiza-se na Freguesia e Concelho de Póvoa de Lanhoso, Distrito de Braga, em Portugal.

Embora bastante descaracterizado, é um dos mais imponentes castelos portugueses, contabilizando a expressiva marca de 100 mil visitantes entre 1996 e 2006, um destaque no circuito turístico regional.

Erguido no topo do Monte do Pilar - o maior monólito granítico de Portugal -, isolado na divisa dos vales dos rios Ave e Cávado, dentro dos seus muros foi erguido um santuário seiscentista, utilizando a própria pedra das antigas muralhas.

A meia encosta, no seu acesso, podem ser apreciados os vestígios de um antigo castro romanizado.

A tradição refere que neste castelo se refugiou, por duas vezes, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques (1112-1185).

Localizado sobre o maior monólito granítico da Península Ibérica, o Castelo de Lanhoso, é um magnífico exemplar da arquitectura militar medieval apresentando vestígios de construção de diferentes séculos.

Nele esteve D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, no caminho para o exílio, após a batalha de S. Mamede.

É um dos mais imponentes castelos portugueses no que diz respeito à sua implantação; estudos recentes permitiram identificar os vestígios da sua organização pré e proto-românica, anterior à reforma contemporânea da construção da torre de menagem, o que o singulariza também entre os castelos medievais portugueses.

Ao visitar este monumento, pode apreciar-se a bela paisagem minhota e, ao mesmo tempo, fazer uma agradável viagem através da história.



Construido sobre a maior monólito granítico da Portugal se não mesmo da Península Ibérica, situa-se o belo castelo do Lanhoso.

Magnifico castelo altaneiro Encravado nas alturas entre o rio Cávado e o rio Ave no meio de um panorama indiscritível.

Este esplendido castelo, rude, belo, imponente, quase assombroso desafia o espirito de quem o vê do cimo do seu gigantesco pedestal granítico.

Literalmente cavado e encravado na rocha granítica que lhe serve de alicerce este castelo tem uma enorme torre de barbacã, torreões imponentes, escadarias talhadas no chão de rocha pela mão do homem, toda uma armonia agreste e pura que encanta que a vê pela sua pureza quase sem macula.

Cerca duns cinco quilómetros a leste de Braga, sobre um rude cabeço dominador de verdejantes horizontes, perdura, um tanto minorado, o vetusto castelo de Lanhoso.

Perto dali passava, em remotos tempos, uma das rodovias romanas que, partindo de Braga, iam atingir Astorga por diversos percursos; não a estrada chamada «da Geirax – como por vezes tem sido afirmado, mesmo em publicação oficial que, transposto o Cávado, se internava na Galiza pelas serranias do Gerês, portanto assaz afastadamente de Lanhoso, mas sim aquela que pelo sul do referido rio se dirigia a Chaves, a Aquae Flaviae dos tempos romanos. Decerto já esta circunstância e a de topografia levaram os Romanos a erigirem nesse cabeço uma torre militar, que desde o começo do século V, encerrado o período de paz romana, veio a ser certamente alvo de ataques, no fluxo e refluxo das várias invasões de que foi teatro o noroeste peninsular.

Certo é que a velha torre romana se achava reduzida à subestrutura quando sobre esta se ergueu a torre de menagem do castelo medieval, construído provavelmente nos começos do século XI, se não antes, pelo menos quanto à sua parte nuclear, e que, uma vez concluído, ficou dominando toda a vasta plataforma cimeira do alcantilado morro, defendida, a seu turno, por uma alongada barbacã, que, em adaptação topográfica, tomou forma grosseiramente elíptica, abrindo-se na sua face setentrional uma porta de entrada, flanqueada de torreões e com acesso por uma rude escadaria escavada na própria rocha. Um tanto descentradamente dentro do espaço assim delimitado pela forte barbacã, ficou erguida a cúbica torre de menagem, de uns dez metros de altura, com sua porta de entrada, aberta a uns três metros acima do solo e voltada para um terreiro de escassa extensão (algo menos de 500 metros quadrados), circuitado por uma defensiva linha de muralhas, muito irregularmente hexagonal, que, partindo da face setentrional da torre, vinha fechar na sua face meridional, abrindo-se, aí, próximo desta e com amparo de fortes torrões a porta de acesso ao terreiro, dentro do qual se construíram, como era hábito, a moradia do alcaide e instalações anexas.

Terminada ao findar a Idade Media, a eficiência militar dos castelos medievais, este de Lanhoso ficou, como tantos outros, à mercê da arruinadora acção do tempo, a que certamente se associaram os pequenos vandalismos que é de crer suscitasse, aos pesquisadoras de tesouros ocultos, a tradição de tratar-se duma edificação do tempo dos Mouros. Nada, porém, que se assemelhasse à vandálica destruição promovida no século XVII por um abastado comerciante portuense, André da Silva Machado, o qual, movido aliás pelo bem intencionado propósito de construir um templo consagrado a Nossa Senhora do Pilar, com escadaria de acesso guarnecida de capelas à maneira das do Bom Jesus, de Braga, entendeu cousa acertada por mais fácil, e mesmo inocente, como lhe dizia a sua bruta ignorância, aproveitar as já aparelhadas cantarias, obtidas por impiedosa demolição de grande parte da barbacã e da muralha, resistindo porém aos camartelos demolidores, felizmente, a torre de menagem, defendida deles pela solidez das suas grossíssimas paredes com mais de um metro de espessura. Começado em 1680, e concluída no essencial alguns anos depois, a obra da escadaria continuava em 1724, persistindo-se decerto também no vandalismo iniciado meio século antes.

Assim, ao iniciarem-se há um quarto de século as obras de parcial restauração do castelo, empreendidas pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, quase só restava, de tudo quanto o constituíra, a sua torre de menagem, com o cunhal de sudoeste um tanto maltratado pela acção dum raio, referida nas Memórias paroquiais de 1758. Quanto ao mais, apenas sobreviviam, da barbacã, alguns dispersos vestígios e um curto lanço da face setentrional, junto da porta da entrada; e da muralha interior, as ombreiras e arco da porta de acesso ao terreiro, os restos dos arruinados torreões franqueadores dela, bem como os alicerces do prístino marulhamento, encobertos já por densa vegetação bravia, e os quais na parte setentrional desenham um saliente quadrangular, que se crê denuncia ter existido ali um cubelo.

Bem conhecido é, na história desce castelo, o facto de ter-se refugiado aí, em 1121, a viúva do Conde Henrique, D. Teresa, que desde a morte dele ficara governando a terra portucalense. Atacada pela rainha de Leão, sua meia irmã D. Urraca – por motivos não suficientemente esclarecidos, mas decerto os de ordem política, relacionados com as acções de D. Teresa, que se não acomodava facilmente à subalterna situação de vassalagem – veio D. Teresa recuando desde a margem do rio Minho com suas tropas, já vencidas e progressivamente dispersas, até encerrar-se no castelo de Lanhoso, onde logo foi cercada, em manifeste situação de inferioridade. Porém D. Urraca, sob o império de prementes dificuldades políticas próprias, entretanto sobrevindas, só lhe impôs um tratado de paz com expressas clausulas de mútuo auxilio.

Certa tradição refere que em 1128, como consequência da derrota sofrida na batalha de S. Mamede, D. Teresa voltou ao castelo de Lanhoso, mas desta vez como prisioneira de seu filho, o vencedor infante Afonso Henriques, que para ali a enviara, duramente agrilhoada. Nada menos exacto do que o negrume dessa lenda, há muito desfeita nas páginas dos historiadores, porquanto tudo quanto se lê nas mais vetustas memórias é que, após a batalha, e já em fuga, ela e o seu consorte, o conde galego Fernando Peres, foram aprisionados, e sem demora expulsos de Portugal, de que o jovem Afonso Henriques se tornou desde então incontestado senhor. A condessa sobreviveu ao desastre, falecendo na Galiza nos fins de 1130. Seus ossos vieram mais tarde para Braga, em cuja catedral repousam, num túmulo parceiro do de seu primeiro marido, o glorioso conde Henrique.

Volvido algo mais de meio século sobre esses sucessos, veio o castelo de Lanhoso a ser teatro dum crime passional, tragédia real e verdadeira, esta, com relato em velho nobiliário medieval. Ausente um tanto demoradamente, o alcaide Rodrigo Gonçalves de Pereira, quarto-avô do Condestável Nun'Álvares Pereira, teve denúncia de que sua mulher lhe era infiel. Regressando arrebatadamente, lançou fogo às instalações habitacionais do castelo, decidido a punir a acusada, bem como todos quantos incriminava de sigilosos cúmplices. Tudo indica que o fez de improviso, e certamente de noite, porquanto as memórias que recordam o radicalismo do feito acentuam que ao incêndio não escapou nada que vida tivesse, nem sequer os animais domésticos.

Dando agora outro salto de cerca dum meio século; eis-nos em 1264. O monarca português Sancho II, glorioso guerreiro que levara as fronteiras de Portugal quase até aos definitivos limites, acabava de ser deposto pelo pontífice Alexandre IV, sob a acusação que lhe era movida de consentir graves desordens internas, até com violação de direitos eclesiásticos; e o Conde de Bolonha, futuro Afonso III, regressara de Franga, onde vivera durante muitos anos, para substituir, como regente de nomeação pontifícia, seu irmão, o rei Sancho II. Em Portugal os partidos de um e de outro persistiam, mas a maior parte dos poderosos aderia ao sol nascente, abandonando aquele que mergulhava no ocaso. Ora o que se passou com o castelo de Lanhoso, em sucesso aliás quase esquecido, testemunha, como poucos, a atmosfera política dessa sombria época da vida medieval portuguesa, Com efeito, no tempo de Sancho II, era alcaide deste castelo D. Godinho Fafez, bisneto de Fafez Luz, senhor da terra de Lanhoso no tempo de Afonso Henriques. Godinho Fafez, porém, substabelecera a alcaidaria num certo Mem Cravo, e este, sem seu consentimento, entregou o castelo ao regente.

Com esta efeméride se encerrou a serie dos mais notáveis sucessos ocorridos no castelo de Lanhoso, cujas enegrecidas pedras continuam perenemente recordando ter ele sido outrora um dos defensores da independência portuguesa, então ainda meramente balbuciante, mas já bem viva no seu balbuciar.










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